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Concurrent Training Response for People With Intellectual Disabilities

Ibero-American Journal of Exercise and Sports Psychology

Research - (2021) Volume 16, Issue 5

Concurrent Training Response for People With Intellectual Disabilities

Brisa D’Louar Costa Maia1, Tatiellem Conceição Morais2, Estélio Henrique Martin Dantas3, Henrique Da Silva Diláscio4, Cristiano Andrade Quinto Coelho Rocha5, César Augusto de Souza Santos6, Renato Ramos Coelho7, Helia Cristina de Souza8, Maura Lourenço Fernandes9, Michael Douglas Celestino Bispo10*, Laila Cristina Moreira Damazio11 and Andréa Carmen Guimarães12
*Correspondence: Michael Douglas Celestino Bispo, Doctoral student of the Stricto Sensu postgraduate program in Health and Environment – PSA, Tiradentes University – Unit, Aracaju, Sergipe, Brasil, Email:
1Licensed Student Department of Physical Education and Health Federal University of So Joo del Rei, Brasil ? UFSJ, Brazil
2Lecturer at Department of Medicine ? Federal University of So Joo del Rei, Brasil and Postgraduate Program in Nursing and Biosciences from the Unive, Brazil
3Lecturer at Stricto Sensu postgraduate program in Health and Environment PSA, Tiradentes University Unit, Aracaju, Sergipe, Brasil. And Lecturer a, Brazil
4Licensed Student Department of Physical Education and Health Federal University of São João del Rei, Brasil − UFSJ, Brazil
5Lecturer at Governor Ozanam Coelho University Center Unifagoc, Ub, Minas Gerais, Brasil
6Lecturer at Universidade do Estado do Pará – UEPA, Brazil
7Doctor, Coordination of Permanent Education of the Complexo Hospitalar de Contagem - municipal health department of Contagem, Brazil
8Graduated in Nursing. Nursing Specialist in Intensive Care and Urgency and Emergency. Pedagogical Training for Nurses. Experience in higher health edu, Brazil
9Master, Member of the Human Motricity Biosciences Laboratory, Federal University Federal of Rio de Janeiro – UNIRIO - Rio de Janeiro, Brazil
10Doctoral student of the Stricto Sensu postgraduate program in Health and Environment – PSA, Tiradentes University – Unit, Aracaju, Sergipe, Brasil
11Lecturer at Department of Medicine − Federal University of São João del Rei, Brasil
12Lecturer at Department of Physical Education and Health Federal University of São João del Rei, Brasil − UFSJ and Stricto Sensu Po, Brasil

Received: 10-Apr-2021 Published: 30-Sep-2021

Abstract

The aim of the study was to evaluate the effects of a concurrent training program on overweight, obesity and improving functional autonomy in people with intellectual disability (ID). Six students with ID between the ages of 19 and 55 participated in the study. The period of intervention of the research occurred during 8 months, 2 for setting and 6 for training. The evaluation of overweight and obesity was performed by the analysis of the Body Mass Index (BMI) and the Hip Waist Ratio (WHR). The Functional Independence Scale and the Gross Motor Function Classification System (GMFCS) were evaluated for functional autonomy. For the muscle force training load used is between 50/60% of one repetition maximum resistance and cardiovascular training intensity was determined using the test 1600m. The results showed statistically significant improvements in the total GMFCS score in the upper and lower limbs of both genders (p <0.05). The results allow to conclude that the practice of the concurrent training improved the functional autonomy considering the general scope of people with intellectual disability.

Resumo

O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos de um programa de treinamento concorrente acerca de sobrepeso, obesidade e melhoria da autonomia funcional em pessoas com deficiência intelectual (DI). Participaram do estudo 6 estudantes com DI com idade entre 19 e 55 anos. O estudo ocorreu durante 8 meses, sendo 2 para ambientação e 6 para o treinamento. A avaliação de sobrepeso e obesidade foi realizada pela análise do Índice de Massa Corporal (IMC) e da Relação Cintura Quadril (RCQ). A avaliação da autonomia funcional foi feita pela Escala de Independência Funcional e pelo Sistema de Classificação de Função Motora Grossa (GMFCS). Para o treinamento de força muscular, utilizaram-se cargas entre 50 e 60% de uma repetição máxima e para o treinamento de resistência cardiovascular a intensidade foi determinada por meio do teste de 1.600m. Os resultados apresentam melhorias estatisticamente significativas no escore total da escala GMFCS em membros superiores e inferiores de ambos os gêneros (p < 0,05). Os resultados possibilitam concluir que a prática do treinamento concorrente melhorou a autonomia funcional considerando o âmbito geral de pessoas com deficiência intelectual.

Palavras-chaves: Autonomia Pessoal. Incapacidade e Saúde. Aptidão Física.

CONCURRENT TRAINING RESPONSE FOR PEOPLE WITH INTELLECTUAL DISABILITIES

Keywords

Personal Autonomy. Disability and Health. Physical Fitness

Resumen

El objetivo del estudio fue evaluar los efectos de un programa de entrenamiento concurrente sobre el sobrepeso, la obesidad y la mejora de la autonomía funcional en personas con discapacidad intelectual (ID). Seis estudiantes con identificación con edades comprendidas entre 19 y 55 años participaron en el estudio. El estudio se realizó durante 8 meses, 2 para establecer y 6 para entrenamiento. La evaluación del sobrepeso y la obesidad se realizó analizando el índice de masa corporal (IMC) y la relación cintura-cadera (RCQ). La autonomía funcional se evaluó mediante la Escala de independencia funcional y el Sistema de clasificación de la función motora gruesa (GMFCS). Para el entrenamiento de fuerza muscular, se utilizaron cargas entre el 50 y el 60% de una repetición máxima y para el entrenamiento de resistencia cardiovascular, la intensidad se determinó utilizando la prueba de 1.600m. Los resultados muestran mejoras estadísticamente significativas en la puntuación total de la escala GMFCS en las extremidades superiores e inferiores de ambos sexos (p <0.05). Los resultados permiten concluir que la práctica del entrenamiento concurrente mejoró la autonomía funcional considerando el alcance general de las personas con discapacidad intelectual.

Palabras clave: Autonomía Personal. Discapacidad y Salud. Aptitud Física.

Introdução

Entender a deficiência e respeitar o diferente e suas inúmeras denominações não é algo fácil. Diversas nomenclaturas foram atribuídas às pessoas com Deficiência Intelectual (DI), como: retardo mental, excepcional, retardado, deficiente mental, entre outros (Carneiro; Costa; Agulnik; Rademaker et al., 2017). A alteração do termo “deficiência mental”, bem como seus derivados, por deficiência intelectual – DI, ocorreu a partir da realização da Conferência Internacional sobre Deficiência Intelectual – 2001, por recomendação da International Association for the Scientific Study of Intellectual Disabilities – IASSID. A partir disso, o termo “deficiência intelectual” passa a ser a oficialmente utilizado, inclusive no Brasil, para se referir aos indivíduos antes classificados como deficientes mentais (Alles, Castro, Menezes e Dickel, 2019). A DI passa então a ser considerada uma limitação e não uma doença, sendo os indivíduos julgados aptos à participação no contexto social comum (Nascimento e Carreta, 2014) para que se deva promover a educação e a saúde em um contexto social comum implicando na inclusão de forma a ter participação ativa dos grupos (Dyonisio; Gimenez, 2020), fazendo com que esses portadores possam aprender a conviver cada vez mais em comunidade e, do mesmo modo, a sociedade possa respeitar a diversidade e a individualidade de forma plural (Mazzota e D’Antino, 2011).

O que não deve limitar as pessoas com DI à realização ou à exclusão das práticas de exercícios físicos, os quais são necessários meios de prevenção e tratamento para prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (Ministério da Saúde, 2014; Carvalho, 2013). Segundo Marques (2008) há de se considerar uma necessidade real da população com deficiência uma vez que são importantes programas de promoção, proteção e reabilitação da saúde. Os exercícios físicos estimulam a manutenção e a promoção da saúde, facultando benefícios psicológicos como a autovalorização (Almeida, Pereira e Fernandes, 2018). diminuição do estresse e melhora do bom humor, entre outros aspectos importantes e resultantes da prática (De Alburquerque-Angelo, 2012; Beltrán, Uribe, Reigal, Olmos e Ramírez, 2019). Alterações metabólicas, cardiorrespiratórias, musculoesqueléticas e melhorias no desenvolvimento fisiológico (Barrozo, 2012), o que ressalta em estratégias de prevenção de excesso de peso e obesidade.

Deve-se levar ainda em consideração a visualização de potencialidades para as atividades da vida diária (AVD’s) que, de acordo com Guimarães, Pascoal, de Carvalho, e do Sacramento (2012), são consideradas formas de otimização da autonomia, qualidade de vida, dentre outros fatores que contribuam para manutenção e promoção da saúde da pessoa com deficiência. Estudos como o de Mason e Suri (2012) demonstram que os mais baixos níveis de atividade física e o elevado uso de medicamentos (antidepressivos, antipsicóticos e antiepiléticos), são fatores que elevam ainda mais o número de obesos em populações com deficiência. As práticas de exercícios físicos visam proporcionar a manutenção e a promoção da saúde, além de auxílio psicológico como a autovalorização, diminuição do estresse e melhora do bo humor (Araújo, 2016). Segundo Figueiredo (2016) os benefícios das práticas de exercícios físicos promovem as alterações metabólicas, cardiorrespiratórias, musculoesqueléticas e melhorias no desenvolvimento fisiológico. Segundo Guimarães et al. (2012) a presença do professor é fundamental para influenciar na evolução dos exercícios e na melhor relação educador/aluno como forma de escuta e motivação (Sousa e Carraça, 2019; Ramírez, Rivero, García, Beltrán e Mendívil, 2020).

Nesse contexto, um modelo comumente citado pelo ACSM (2012) é o Treinamento Concorrente (TC), modalidade em que o exercício de força e o exercício cardiovascular são realizados na mesma sessão de treinamentos (Rocha, Moreira, Mesa, Guimarães, Dória e Dantas, 2015). A regularidade na realização do TC estimula a oxidação lipídica, bem como o ganho de massa muscular (Rocha et al., 2015). Este treinamento também favorece as adaptações específicas no organismo tendo como fatores determinantes a duração, frequência, intensidade, considerando a manutenção e melhoria da autonomia funcional, coordenação motora e os estímulos de repetição, acompanhado pelo professor de forma motivadora (Guimarães et al., 2012). Além de acarretar adaptações específicas no organismo tendo como fatores determinantes a duração, a frequência, a intensidade, fatores esses essenciais para a manutenção e melhoria da autonomia funcional e coordenação motora (Rocha et al., 2015).

Dessa forma, a pesquisa em questão tem como objetivo avaliar os efeitos do exercício físico concorrente na diminuição da obesidade e melhoria da autonomia funcional em pessoas com deficiência intelectual, participantes do programa de exercício físico concorrente do Laboratório de Psicologia e Intervenção Psicossocial.

Métodos

Participantes

A amostra foi composta por seis participantes com DI (92,61 ± 26,11 kg; 162,33 ± 6,77 cm), dois eram homens entre 19 e 25 anos, e quatro mulheres com idade entre 23 e 55 anos, todos residentes no município de São João del Rei, Estado de Minas Gerais. A amostra limitada se justifica pelos rigorosos critérios de inclusão adotados, foram eles: a) os indivíduos da amostra deveriam ser adultos; b) estudantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae); c) com IMC > 25 a 30%; d) os que possuíam patologias, as quais deveriam estar controladas por intermédio de medicamentos; e) todos deveriam ter acompanhamento médico para a participação da pesquisa. Os critérios de exclusão compreendiam qualquer tipo de patologia não controlada e que não possuíam o aval da equipe de saúde. A presente pesquisa atendeu às normas para a realização de Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde (Brasil), de 12 de dezembro de 2012. Assim, foi solicitada ao responsável pelas Pessoas com Deficiência (PcD´s) na instituição, a assinatura do Termo de Participação Consentida, o Termo de Assentimento e o Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética da instituição.

Instrumentos

Após um mês de adaptação aos equipamentos da academia, os alunos passaram por exame diagnóstico preliminar dos índices antropométricos, executados antes do período das sessões de treinamento. Foram coletadas as variáveis de peso corporal, estatura, circunferências de cintura, abdômen e quadril. Para aferir o peso corporal utilizou-se uma balança mecânica Filizola com precisão de 100g. A medição da estatura foi mensurada em metro e centímetros por meio de estadiômetro em alumínio fixado à balança. As coletas da circunferência de cintura, abdômen e quadril, foram obtidas por fita métrica. Todas as medidas antropométricas seguiram as recomendações do International for Anthropometric Assessment (Marfell-Jones, Olds, Stewart e Carter, 2006).

Mediante tais variáveis foram calculados o índice de massa corporal (IMC) e relação cintura quadril (RCQ). O IMC foi calculado e classificado de acordo com a massa corporal (kg) dividido pelo quadrado da estatura (m). Este índice determina se o volume corporal total de um indivíduo está ou não dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial de Saúde (Dos Santos- Farias et al., 2020)

Para a avaliação de independência funcional (MIF) foi aplicada a escala subdividida em temas que representam atividades de vida cotidiana: alimentação, higiene pessoal, banho, vestir-se, uso do vaso sanitário, controle da urina, controle das fezes, transferência entre lugares (exemplo: da cama para a cadeira), locomoção, locomoção em escadas, comunicação (compreensão e expressão), interação social, resolução de problemas e memória. Para aplicação da escala foi necessário amplo acesso às dependências do local onde o paciente é atendido para utilização de espaços como banheiro, quarto, itens de higiene pessoal e alimentação, assim como papel e caneta para avaliação da comunicação escrita. Além disso, a participação do cuidador na aplicação da escala foi de extrema importância para a avaliação eficiente a partir da MIF. O Sistema de Classificação de Função Motora Grossa (Function Classification System – GMFCS) é um sistema ordinal que possui cinco níveis de classificação, os quais representam as habilidades da criança e suas limitações na função motora (Moura, Santos, Bruck, Camargo, Oliver e Zonta (2012).

Procedimentos

As intervenções de treinamento concorrente compreendidos pelos exercícios de força muscular e exercícios cardiovasculares, transcorreram na sala de Atividade Física Adaptada do Laboratório de Psicologia e Intervenção Psicossocial, equipada com aparelhos de musculação adaptados, com a parte de adaptação e, posteriormente, os exercícios específicos, com oito meses de intervenção. O programa de treino objetivou analisar os parâmetros antropométricos de pessoas com deficiência intelectual e ocorreu durante oito meses, com frequência semanal de três vezes por semana, e sessões de 60 minutos. Foram utilizados protocolos de treinamento assim aplicados: inicialmente realizou-se uma familiarização de quatro semanas, em duas sem carga e duas com carga considerada leve pelo praticante. O treinamento cardiorrespiratório foi iniciado com caminhada moderada e, posteriormente, migrou-se para os ergômetros. Nas sessões, o treinamento de força apresentou duração de 30 a 40 minutos, sete a 12 exercícios, três séries de 15 repetições, com intervalo de um minuto, e carga de 60% de 1-RM, estabelecida após préteste. Quanto ao treino cardiovascular, foi realizado em esteira ou bicicleta ergométrica, com duração de 15 minutos. A intensidade foi determinada por meio do teste de 1.600m, em que os exercícios foram realizados de 60% a 65% FC/máx.

Análise estatística

Para a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva, com medidas de tendência central (média) e medidas de dispersão (desvio padrão) e a estatística inferencial, por meio do teste de Shapiro-Wilk, a fim de averiguar a homogeneidade amostral. Para as comparações intragrupos foi feito o teste de Wilcoxon para amostra dependente e o teste t de Student para amostra dependente, quando apropriado. Adotou-se o nível de significância estatística de p < 0,05. Os procedimentos estatísticos foram analisados com auxílio do programa Statistical Peckage for the Social Sciences (SPSS 22.0).

Resultados

Quanto à caracterização dos seis participantes, a maioria era do sexo feminino 66,7% e 33,3% do sexo masculino, com média de idade de 35 anos. Quanto aos índices antropométricos, descritos na tabela 1, quando analisados de forma separada, não foram encontrados valores estatisticamente significativos.

Em relação à RCQ, apresentada na tabela 2, não foram observadas diferenças significativas, nem para o gênero masculino nem para o gênero feminino. Em relação aos dados de autonomia funcional, avaliados pela GMFCS, foi possível observar que ocorreu melhora no escore médio total dos membros superiores (p=0,04).

Tabela 1: Índices antropométricos da amostra no pré e pós-teste.

Variável Pré Teste Pós teste p-valo
Mínimo Máximo Média ± DP Mínimo Máximo Média ± DP  
Peso 62,65 62,65 92,61±26,1 69,6 139 95,23±24,58 95,23±24,58
Estatura 1,53 1,53 1,62±6,77 1,53 1,71 1,62±6,772 1,62±6,772
IMC 23,87 23,87 34,73 ± 7,9 28,37 47,64 35,81 ± 6,97 35,81 ± 6,97
CC 88 88 105,83±18,8 92 143 110,17±18,45 110,17±18,45
CA 97 97 114,67±16,36 98 147 115±18,13 115±18,13
CQ 104 104 113±13,1 107 140 120,67±14,1 120,67±14,1

Tabela 2: Dados da relação entre cintura e quadril por gênero da população estudada

  Gênero N Média DP p-valor
RCQ-PRE Masc 2 0,99 0,02 0,66
RCQ-POS Masc 2 1,01 0,04
RCP-PRE Fem 4 0,89 0.06
RCQ-POS Fem 4 0,85 0,03

Em relação aos dados médios dos escores totais avaliados pela escala GMFCS nos membros inferiores foi observado que também ocorreu uma diferença estatisticamente significativa (p = 0,01), como observado na figura 1,2.

riped-escores

Figure 1: Dados médios dos escores totais da escala GMFCS nos membros superiores antes e depois dos exercícios concorrentes entre os deficientes intelectuais.

riped-membros

Figure 2: Dados médios dos escores totais da escala GMFCS nos membros inferiores antes e depois dos exercícios concorrentes entre os deficientes intelectuais.

A análise quantitativa dos escores na escala MIF não se apresentou significativa ao comparar antes e depois da intervenção, entretanto, os participantes encontram-se mais ativos e autônomos que no início do estudo.

Discussão

O presente estudo associou instrumentos de antropometria e autonomia funcional. Estudos como o de Nascimento et al. (2020) evidenciam a importância da utilização de instrumentos de antropometria para amostras de DI. Isto posto, os achados principais deste experimento, são: mesmo sem os benefícios relativos à antropometria, os DI obtiveram ganhos em autonomia funcional.

Especificamente em relação ao RCQ, no qual não foram observadas diferenças significativas, o que pode ser explicado pela falta de um acompanhamento nutricional de qualidade, para que essa redução fosse efetiva, Moura (2017) coloca em seu estudo a importância do quadro nutricional em que seus pacientes se encontram para que haja uma melhoria em todo o processo e acrescenta que quanto mais saudável a alimentação, melhor será o desempenho durante as atividades propostas.

Pode-se adicionalmente observar que os valores de índice de massa corpórea da amostra, em ambos os sexos, tiveram pequena elevação de 47,1 para 47,6 no sexo masculino, de 31,7 para 32,8 no feminino, o que pode demonstrar nos estudos de (Costa, 2015) que o IMC é incapaz de diferenciar massa magra de massa gorda, limitando a identificação entre as diferenças de adiposidade corporal relativa à idade, sexo e etnia (Costa, 2015), sendo sugerido, portanto, a avaliação da relação cintura quadril (RCQ).

Em relação à RCQ, os resultados descritos na tabela 3, demonstraram importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (Furtado et al., 2018; Savva, Lamnisos e Kafatos, 2013), atestando que, o RCQ no sexo masculino pré-intervenção foi de 0,99 cm e pós-intervenção de 1,01 não sendo observada melhora com a intervenção, entretanto no sexo feminino houve redução significativa nas médias de RCQ de 0,89cm para 0,85cm como pode ser verificado na tabela 3. Estudos como de Dias, Tavares, Iasi e Parzanese, et al. (2015) e de Serra, Hiraga, de Freitas, Silva, Martins e Tonello (2017) corroboram com os nossos resultados, nos quais seus achados, no que diz respeito a RCQ, foram semelhantes no sexo feminino. De Oliveira, Costa, Lopes, Breguez e Marins (2017) afirmam que a RCQ representa um indicador antropométrico que sinaliza o risco coronariano e ressalta que, em comparação com a obesidade periférica, a obesidade abdominal está associada a uma maior mortalidade.

Em relação aos dados de autonomia funcional, foram observadas melhorias para esta população decorrente da intervenção. No estudo de Bracciallii, Spiller, Audi, Araújo e Sankako (2016) foi observada diferença significativa na análise segmentar dos membros superiores pela escala GMFCS após um programa de exercícios. Isso pode ser explicado pelos objetivos dos exercícios concorrentes, utilizados no presente estudo, em que foram aplicados em todo o corpo de forma global, sem trabalhar de forma limitada apenas em pequenos grupos musculares. Estudos como o de De Lima et al., (2018), vêm de encontro aos nossos resultados, evidenciando melhoras significativas na função motora grossa e ainda corroborando que, para obter melhorias nas demais variáveis, é necessário um trabalho específico principalmente no que diz respeito ao equilíbrio.

A análise quantitativa dos escores na escala MIF não demonstrou melhorias estatisticamente significativas ao comparar antes e depois da intervenção, entretanto, os participantes encontram-se mais ativos e autônomos que no início do estudo. Santos, Garcia e Della Barba (2017) trazem em seu estudo a importância do exercício físico na melhoria de qualidade de vida dessa população, comprovando assim os dados qualitativos do nosso estudo.

Conclusões

Existem poucos estudos na literatura que avaliam os efeitos de exercício na população para DI. O presente estudo demonstrou que a prática de exercícios físicos concorrentes deve ser realizada para controle da obesidade nessa população. No entanto, um acompanhamento nutricional é essencial para obtenção do controle e diminuição da obesidade e sobrepeso corporal. O estudo demonstrou que os exercícios concorrentes foram eficazes na melhora da autonomia funcional e independência motora em membros superiores e inferiores nessa população.

Agradecimentos:

Agradecemos ao apoio financeiro prestados pela Fapemig e CNPq, que se fizeram importantes na produção deste trabalho.

Referencias

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